quarta-feira, 1 de abril de 2009
Belzebu e seu neto (no chat)
segunda-feira, 30 de março de 2009
Sem (Versão Última)
Eu era sem forma,
Eu me deformei
Não possuía repertório
Eu o roubei
Uma criança problemática
Naturalmente cáustica
A carta mais baixa
Do baralho dos rotos
Tão sem talento, à mercê dos tolos
Sempre inoportuno
Um caminho sem rumo
Eu ainda sou
A cicatriz que incomoda
Na contramão da moda
Apedrejando janelas
Apagando as velas
Destinadas aos mortos
Nas guerras do tédio
Do amor e do ócio
Irracional demais, incapaz de falar
Sempre contuso
Impossível mudar
Eu não tinha deus
Hoje não tenho nada
Abominado entre os meus
Sem roteiro a seguir
Pronto para cair
Em busca de uma resposta
Ignorado, iletrado
Atirado ao anonimato
Desarmado, sem forças por ora
Eu estou aqui
Estou indo embora
Eu era sem voz
Continuo um pouco mudo
Faminto e atroz
Digerido pelo mundo
Sem qualquer proteção
Ele ainda é
Um discurso de indignação
Sem saber o que dizer
Órfão dos órfãos, rebento sem nome
Eu degolei minha infância
Sou a infâmia dos carrascos
Muito sujo, envolto em trapos
Agora sem roupas
Nos esgotos banhado
Tão perturbado, digno de pena
Com uma pena escrevo
As palavras que furtei
Eu era um aleijado
Ele cortou nossos braços
Extremamente desprezível, diabólico
Ateando fogo no inferno
Invisível aos nossos olhos
Eu era destrutivo
Não há mais o que destruir
Sem luz, eu quebrei suas lâmpadas
Sem chances, ele roubou nossa esperança
Tão fraco, repulsivo
Sempre sem nada
Ele deveria tombar
Antes da primeira palavra
Eu era sem chão, eu abri minha cova
Uma pútrida rosa
Nesta alcova germinou
Em cativeiro, ele não nos cativou
Eu era sem vida
Hoje eu posso morrer, enfim
Tão sem começo
Mas ainda sem fim
No leito de morte
sexta-feira, 20 de março de 2009
Poesia de Baixo-Ventre
Tu – você
És parte agora
Do degradante cenário
Oculto atrás das cortinas do teu palácio
Nua – pelada
Maravilhada pelo furor
Que domina teus tenros dezessete anos
Deflorada – fodida
No intelecto e na carne
Dia após dia, minha deusa
Ídolo da minha heresia
Alva – pálida
Agarrada ao lençol
De pernas abertas, unha entre as pernas
Vislumbrada – viciada
Diante do orgasmo
Que teu corpo preenche
E num espasmo delirante tua alma desarma
Encanto – tesão
Escrivão da história
Morta em tua boca na solidão das madrugadas
Dissimulada – traíra
Mãe da mentira, vadia
És um simulacro indefectível
Lacerando egos, devorando poesia
Reservada – exilada
Em tua pele de ninfa suicida
Prostitui-te ao gozo sádico em tua monofobia
Apaixonada – puta
Suprema arquiteta venal
Do amor bélico, que fere
Do amor fálico, que cura
Do amor que não mais te cai bem
Do amor que faz impuras
As palavras do próprio amor
Este amor que não mais nos convém
quinta-feira, 19 de março de 2009
Ode à Podridão
sexta-feira, 13 de março de 2009
Horror Vacui
Hoje a luz acabou
E ele se deparou
Com o medo de não brilhar
Uma vez na vida
De não piscar
Não salvar
Ao menos uma boa lembrança
Um vômito de esperança
É preciso parar
Para pensar e rever
Os atos e os fatos
Que ainda nos fazem temer
Esse horror vacui
Preenchendo o vazio
Incapaz de satisfazer o verme vil
Que habita o centro do mundo
E um pensamento
Imundo
Já se formou
Em um mergulho profundo
Na maré de carne
Devassa
Da putrefata massa
Que proclama em desgraça
Você não pode
Você não consegue
Ser mais do que um bode
Expiatório do caralho
Um fracasso
Inominável
Um pedaço, um retalho
Seja o que for será instável
Ferido e banido
Do único refúgio remanescente
O combalido ventre
Forçado ao delito
De expurgar outro maldito
Nascido no calendário errado
Entre lágrimas e sangue
Fadado ao fracasso
Nunca houve uma chance
Mas para quem nasce em gritos
Faminto, aflito
Enrugado e feio
Alimentado por um seio
Cansado e arquejante
Não existe perda ou dano
Do detrito ambulante
Ao flâneur mais profano
Absolutamente obsoleto
Este cão deformado
Ignorado no começo
Membro proletário
Decepado
Em um surto literário
Arcano
Perdido em um palimpsesto
Imaginário, urbano
Violador da Elite Esclarecida
Cidadão Y, eis aqui
À premissa de uma vida fodida
sexta-feira, 6 de março de 2009
40 Coisas Randômicas
02 - Eu passei duas semanas a mais na barriga da minha mãe antes de nascer, o que prova que eu não queria nascer.
03 - Ao nascer, me enrosquei no cordão umbilical, o que prova indubitavelmente que eu realmente não queria nascer.
04 - Eu sinto mais prazer em pensar do que fazer.
05 - Eu sou bipolar.
06 - Tenho o sonho de me suicidar num futuro distante.
07 - Sou militante do movimento de Legalização da Maconha.
08 - Parei de beber depois que comecei a fumar maconha.
09 - Mas não parei com o cigarro.
10 - Recentemente eu parei de fumar maconha.
11 - E não voltei a beber.
12 - Mas continuo fumando cigarro.
13 - Agora eu tô cheio de seda lá em casa.
14 - Tracei planos e teorias mirabolantes essa semana.
15 - Mas o ilmo. [CENSURADO POR MOTIVOS PESSOAIS] quer me convencer a ser professor.
16 - 16 é o meu número da chamada na escola.
17 - 17 é o meu número da sorte.
18 - Esse já é o décimo colégio diferente em que eu estudo.
19 - Eu não acredito em sorte.
20 - Eu acredito em Caos.
21 - Eu curto esoterismo, mas não tenho paciência pra aprofundar.
22 - Mentira, na verdade eu tenho medo de assombrações.
23 - Eu curto Budismo, mas não tenho paciência pra me aprofundar.
24- Mentira, na verdade eu gosto de comer carne, falar palavrão e ter raiva das pessoas.
25 - Eu tenho paranóia com números.
26 - Sou mais sensível do que pareço.
27 - Eu sou solipsista.
28 - Eu sou agnóstico.
29 - Eu sou pandeísta.
30 - Eu acredito na Nova Era.
31 - Pretendo gravar meu nome na História da Humanidade.
32 - Estou escrevendo um livro numa velocidade extraordinarimaente lenta, mas estou.
33 - Eu sou celibatário.
34 - Deixei de ser INFP, e agora sou INTP, o que me deixou muito satisfeito. (Eu nunca fico feliz)
35 - Eu sonho com um mundo onde todas as pessoas sejam livres e amem-se umas às outras.
36 - Eu odeio a raça humana.
37 - A maior parte dos meus amigos está na internet.
38 - Eu não falo com meu pai, apesar de ele morar comigo.
39 - Eu já [CENSURADO POR MOTIVOS DE SEGURANÇA] quatro mulheres até agora.
40 - Bem, acho que já falei demais...