terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Pequeno Gafanhoto?

Juro que ia postar algo interessante aqui, mas não passei para o papel e me esqueci o que era.



* * *


E dizem que o bom aluno supera o mestre...

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Me Fode, Tédio (e goza nos meus sonhos)

A luz entra pela janela e bate na minha cara anunciando o raiar de mais um dia de merda. Tento voltar a dormir, não consigo, desisto, rastejo finalmente para fora das cobertas como um animal meio aleijado, um tanto pulguento, estralando o maxilar e vestindo a mesma roupa do dia anterior, e do dia antes deste. A cada manhã a casa parece menor e a cor das paredes sugere que despertei em um inferno azul-claro. Pelo resto do dia meu tempo será dividido entre cigarros, o violão e o computador, na frente do qual consigo passar horas sem fazer absolutamente nada, esperando o tempo passar.

O relógio bate, e o mundo espera que eu faça alguma coisa.

E eu faço. Arquiteto magníficas punhetas, realizo jornadas épicas do quarto para a sala, fotografo mentalmente o olhar depressivo que me encara no espelho, releio todos os livros que já li e embarco em viagens fantásticas de sono profundo patrocinadas pelo Barão Dramin.

Os ponteiros correm, perseguindo a si mesmos interminavelmente.

A paisagem lá fora muda pouco. Aqui dentro não muda nada. Passo o dia inteiro esperando um desastre, uma epifania, um telefonema. Nenhum deles chega. Eu espero deus bater na minha porta e dizer qualquer coisa, espero a iluminação, eu espero que meus dentes e cabelos caiam e espero cair na cova. Eu passo meus dias aguardando, seja o que for. Pelo tempo que estou esperando deve valer a pena.

Os céus escurecem anunciando a chegada da imponente madrugada, mãe dos bêbados, saqueadores e pervertidos. Dos molestadores e dos molestados. Minha mãe, que me alimenta em seu seio murcho e velho, o mesmo seio que talvez tenham abocanhado Leminski e Trevisan. E enquanto todos têm seus nomes inscritos com letras douradas nas capas de revistas, nos mausoléus de mármore e na porra da Grande História do Mundo, eu continuo sendo somente Eu, obrigado a carregar o próprio peso e a pensar sempre os mesmos pensamentos, incapaz de não ser eu, de ser outro, destinado à desprezível resignação que finca seus dentes na jugular dos fracos, dos inúteis e imprestáveis, daqueles esquecidos pelo mundo, e dia após noite, noite após dia, sorve de mim a inspiração, a alegria, meu sangue e meu tempo, sugando-me com tamanha devoção que sou levado a redigir o pior dos contos, o pior dos poemas, e narrar para as baratas em meu ombro a triste rotina de Eu, uma história curta demais para se tornar um romance e muito longa para ser vivida.

Ao cair da noite os pássaros fogem e as corujas despertam, e enfileiradas ao longo do galho observam-me distantes, trocando risadas entrecortadas e com seus gordos olhos amarelos vislumbrando meu rosto atrás da vidraça do mesmo modo que se observa um animal engaiolado, alimentado mas faminto.

As horas passam, ocupadas em construir o tempo, e o tempo tão ocupado em me destruir vai passando sem que eu construa nada, Eu, desperto madrugada adentro, adormecido por dentro, atravessando sozinho o deserto da noite e me afogando no oceano do isolamento.

Eu.
Eu...
eu...

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Antes do Fim

No Jardim das Flores Mortas
A garotinha acomoda-se na balança
E agitando suas perninhas no ar
Ela me diz que está acabando

Eu me mantenho apenas ouvindo
O lamento dos brinquedos esquecidos
O choro da mãe sobre o berço
O último suspiro de sua filha

Ainda não acabou
Você pode ficar aqui
Ela deseja morrer
Mas ainda não acabou

O vestido suspende acima dos joelhos
Ela diz que está no fundo do poço
Pede para que eu jogue terra por cima
Isso não irá durar até amanhã

Eu estou apenas assistindo
Seu prazer sendo assassinado
A garotinha rejeita a si mesma
E não existe desejo, apenas lembranças

Ainda não acabou
Você pode voltar
Ela deseja sofrer
Mas ainda não acabou

Com seus pezinhos ela revira a terra
Torturando os vermes e indo embora
Há sangue escorrendo de seus olhos
E eu preciso martirizá-la

Eu fico apenas esperando
A garotinha pular sem chegar ao chão
Enquanto caminha de encontro a algo
Que não pode enfrentar

Ainda não acabou
Você pode dizer adeus
Ela desejava dizer
Mas está tudo acabado

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Papo Chapado 2 - O Telefonema


Esperava a ligação de um amigo... e ela chegou um tanto diferente do que eu esperava.

- Alô?

- Será que eu liguei certo? Quem tá falando?

- Como assim? Você liga no meu celular e me pergunta quem tá falando?

- É que eu quero falar com o Welker. Quem tá falando?

- Aqui quem fala é secretária de voz masculina dele... óbvio que sou eu!

- Olha, essa ligação tá muito confusa. Dona, faz o seguinte, fala que eu liguei e pede pro Welker retornar a ligação, tá bom?

- Deixa de ser estúpido, é o Welker falando!

- Não dona, eu não sou o Welker... mas quando a senhora achar ele, pede pra ele retornar a ligação.

- Cara, deixa de ser ridículo... sou eu!

- Ok, eu não preciso ser chamado de ridículo por alguém que eu nem conheço... eu ligo pra ele depois, não precisa passar recado nenhum. Tchau.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Abaixo do Céu

A verdade é esta: Eu sou a luxúria adolescente
Preso em um mundo de música eletrônica
Onde as grades são garotas de saias curtas e bocas vermelhas
Minha primeira lei: Não conte com deus
Se você souber se comportar, será a estrela faiscante da noite
Minha segunda lei: Não conte com ninguém
Eles me oferecem algumas gramas de pó, e eu digo: sim, eu quero
Minha terceira lei: Seus limites são sempre redefiníveis
A verdade é esta: Nós não nos importamos
Se tivermos uma arma, será o fim
Eu calculo que isto sirva
Eu calculo todas as medidas
Se algo der errado, corram para a porta dos fundos
Nos encontramos no Paraíso
Minha quarta lei: É possível reconstruir o Paraíso com vícios amontoados
Desinfete suas seringas, tenha cuidado com quem você conversa
Tenha sempre em mãos dinheiro suficiente
A verdade é: a humanidade precisa de menos roupas e mais idéias
Minha realidade é feita disso:

Coxas e seios em preto-e-branco granulado
Masturbação artística
Longas noites acordado em frente ao novo século
E de repente o tempo vai embora sem você

Eu vou fazendo anotações mentais enquanto corro:
Um: Organize o caos
Dois: Mantenha o controle
Três: Se você quer sobreviver, tem de estar disposto a matar

A verdade é: o mundo não precisa de nós, mas nós precisamos dele
Ela me diz: Eu gostei de você
E nossas línguas lutam entre si
O volume aumenta e a verdade é: você precisa estar pronto quando a verdade chegar
Nota pessoal: A fé deve ser descartada
Minha quinta lei: Use sempre camisas de mangas compridas
A liberdade não é o que você espera conseguir, mas sim aquilo que aprendeu a rejeitar
Nós estamos dopados e você nem percebeu
Eu sou a síntese da elegância decadente
Você paga algumas bebidas, e pode foder a noite toda
Nós temos a porra da arma, e ela está apontada para a sua cabeça
Dê-nos o que precisamos, e talvez iremos embora
A verdade é: o salão está escuro porque precisamos esconder nossas marcas
Minha sexta lei: Tenha dinheiro. Tenha drogas. Tenha o mundo.
Nesta prisão onde estamos, os carcereiros são:

Os homens da lei
Os homens de deus
Os homens da mídia
Os homens

Aqui é tudo muito belo, mesmo quando não é
Minha sétima lei: Se tudo acabar agora é preciso estar disposto a enfrentar as conseqüências, mesmo que isso signifique descobrir que é tarde demais para ser salvo
No Meu Paraíso, elas se amontoam em volta de mim e eu digo:
Antes de transcender, é preciso compreender
Violentar, sem ser violentado
Devemos viver com paixão, e morrer apaixonados
A verdade é: nós estamos aqui, mas não permaneceremos aqui
Nota pessoal: descubra como lidar com isso
Dançando na pista, nós vamos imprimindo nossos nomes sobre os seus
Construindo prédios maiores, usando drogas melhores e aperfeiçoando os erros
Eu me tornei o que era preciso
Eu sou sua garantia
Nota pessoal: Se você pode fazer algo, torna-se sua obrigação fazê-lo
Vivendo à margem da humanidade, não estaremos no centro do alvo
Nota pessoal: a verdade é que apenas as mentiras levam a algum lugar
Certa vez eu escrevi no verso de uma folha: Este é o lado certo. Este é o meu lado.
Se alguém viesse até aqui, veria como é suja e linda nossa heresia política
Se pudessem nos ver agora,

Com todo esse horror dentro de nós
Com esses anjos rebeldes e alucinados que nos cercam
Nota pessoal: pelo preço certo, todos nós podemos voar
Com essas luzes que não iluminam
Essa fúria exalada no ar e o organismo pulsante que somos
Com os cabelos tingidos e peles úmidas que nos tocam
Com nossas roupas e conceitos que vão caindo
Com todo o heroísmo e heroína de que somos feitos

Bem, ninguém poderia ver





Minha oitava e última lei: É preciso saber quando parar. E então, seguir em frente.

domingo, 28 de setembro de 2008

A Recaída do Filósofo Aposentado

- Ótimo, só me faltava essa mesmo... perdi a carteira de identidade.

- Perdeu?

- Perdi. Agora não sei mais quem eu sou... de novo.

* * *

Peço extremas desculpas a todos que acabaram de ler esta tentativa de anedota, mas não pude me conter...

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Arte, Silêncio, Pseudo-Intelectualismo e eu

- Não seria melhor chamarem o pessoal da limpeza?

- Por que?

- Vomitaram esse quadro todo.

- Não tem nada vomitado aqui. Esse é o quadro.

- E o que isso representa?

- Ele representa a incompreensão da massa ignorante em relação a uma obra de arte.

- Faz sentido... você que o pintou?

- Na verdade, não.

- Então como sabe que isso é o que ele representa?

- Não faço parte da massa ignorante.

- Ah... tudo bem. Só uma pergunta. Por que o nome do quadro é “Indigestão”?

- Ok, vamos embora.


Baseado num fato surreal.